golpe do refrigerante grátis da Domino’s

Aconteceu diversas vezes na Domino’s do Humaitá, Botafogo, Rio de Janeiro. Você liga para comprar a pizza e quando vai concluir a compra o atendente informa o preço dizendo que um refrigerante o preço é igual. Meio ridículo, não é? Me ocorreu que seria um caso de venda casada. A fome era grande e não discuti muito. Mas a pulga ficou atrás da orelha. 

O golpe está na maneira como o atendente informa o preço. Ele diz que “a pizza com o refrigerante sai o mesmo preço”. Se você insistir, acaba por saber que ele está “empurrando” a venda de um combo pizza+refrigerante. No final, sempre restará a desculpa esfarrapada de que houve um mal-entendido. 

Caí três vezes. Hoje, insistindo com o atendente, depois de muita conversa esquisita, o preço real da “pizza” foi informado.  

Acredito que seja um esquema local. A Domino’s é um negócio que envolve bilhões de dólares. Não vai se arriscar enganando clientes do delivery.  

Fica o alerta. 

Google se parece com a Odebrecht 

Tá duvidando né? Com razão. Uma é “soft” e a outra é “hard”. Google se estabeleceu a partir de um software. A Odebrecht é especialista em barragens, portos e estradas. Quer coisa mais “hardware”? Mas elas têm semelhanças. A Odebrecht ficou famosa quando descobriu-se que sua competência era em grande parte oriunda de sua atuação na área de influenciar pessoas, em particular políticos do Brasil e do mundo. Ela dava grana para os governantes fazerem campanhas eleitorais e se perpetuarem no poder. Em troca, ganhavam as obras no país e por aí afora. A Google não precisa disso, diriam vocês, amantes da Big Brother da Internet. Há controvérsias. O artigo “Why Is Google Spending Record Sums On Lobbying In Washington?“, do jornal The Guardian, descreve como os gastos com lobby da gigante da internet estão aumentando, na medida em que a Google precisa que os congressistas americanos apoiem sua maneira de ver e direcionar o mundo. Nos EUA, essa atividade é oficial e chama-se lobby. Só por que o nome é bonito – lobby – não quer dizer que seja razoável dar dinheiro para político fazer o que é do seu interesse. Aqui no Brasil é propina. Pelo menos não fingimos que é legítimo uma empresa definir as leis que a regem. Lula, nosso grande líder triplexo, diz que propina é o nome que os malvados juízes deram às honestas contribuições feitas para os partidos políticos. Lula é o Lula. 

Lobby é a propina institucional que nossos desenvolvidos irmãos do norte inventaram. Eles convivem bem com esse modelo. Começaram a corrida das nações lá na frente. Mesmo com tropeços, como a eleição de Trump, os EUA têm muita riqueza sendo produzida, que pode ser compartilhava pela população. A distribuição de renda dos americanos do norte não está lá essas coisas, mas eles têm locomotivas como o Estado da Califórnia produzindo inovação e gerando riqueza. Nós temos criaturas belíssimas e sensíveis como Michel Temer e Renan Calheiros definindo o futuro do país. Segundo Ministério Público eles levam grana para legislar a favor das empresas. Ouso pensar que os interesses escusos dos gringos são menos danosos que os interesses de nossas quadrilhas, tais como PT, PMDB e PSDB. Desgraça pouca é bobagem. 

E a vida segue. 

Quem é o vilão das contas públicas? Os juros, idiota!

Os noticiários comentam o atual aumento de impostos dizendo que isso é necessário para “fechar” as contas públicas. A previdência é o culpado padrão para o estouro das contas. Também se reclama que o governo devia fazer sua parte. Fala-se do luxo e desperdício da máquina governamental. Se os brasileiros comuns perdem deus empregos, por que os funcionários públicos têm ganhado aumentos e usufruem de inigualável segurança no emprego? Mas será esse o maior fator desarrumador de nossa economia?

O tempo passa e o vilão dessa história de mistério não é desmascarado. Nada se fala sobre a taxa básica de juros. Nossa dívida atual está em três trilhões de reais. Esse valor, com a taxa atual de mais de 10%, gera um rombo de mais de 300 bilhões por ano. 1% de redução na taxa representaria 30 bilhões de redução na evolução da dívida. Essa taxa altíssima (não têm igual no mundo hoje) garante a transferência de renda do governo (aquele imposto que pagamos) para a banca e para os rentistas. Baixar os juros não seria a principal ação de gestão econômica do país para reduzir déficits?
Não sou Hercule Poirot, mas nesse caos que estamos, alguém já viu os banqueiros reclamando dos negócios? Fiquem atentos. Qualquer espasmo da economia e os gênios do Banco Central vão se apressar em aumentar os juros da taxa básica. 

E vamos cantar:  Ê, ô, ô, vida de gado / Povo marcado, ê! / Povo feliz!