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Colapso Anunciado do Rio de Janeiro

o caos está organizado
Há bem medidos dez anos, escrevi neste blog um comentário sobre o livro Colapso, de Jared Diamond. Tracei um paralelo com a situação do Rio naquela época. Minha avaliação ainda está bastante precisa. Descobri capacidades premonitórias minhas que desconhecia. Vou investir na Megasena. Mas que nada. Bobagem. Dava para ver que essa nossa terra ia dar merda. Confiram vocês:

“Vendo o que os desequilíbrios podem fazer com as civilizações, pensei aqui com meus botões. Imaginem uma cidade como o Rio de Janeiro. Aqui, as mães ricas (renda maior que 10 salários mínimos) têm em média apenas um filho. Já as mulheres pobres (renda na faixa de 1 salário mínimo) têm mais de 5 filhos. A população cresce com maior número de crianças miseráveis, sem instrução e sem opções na vida. A massa de ignorantes vai crescer se tornando a grande maioria. A população jovem será manipulada por traficantes de drogas, traficantes de deuses (franquias de religiões) e traficantes de cidadania (políticos corruptos manipulando promessas sociais que não serão cumpridas). Por uma bolsa família, os governantes se perpetuarão no poder, agravando os defeitos de uma sociedade que perde a oportunidade de aproveitar seus potenciais. O desequilíbrio criado pode ser o causador de uma guerra civil. Em tempo: a Vila Cruzeiro está sitiada há mais de 40 dias e os traficantes não parecem dispostos a ceder. A guerra civil Carioca vai reduzir a capacidade produtiva da cidade e do estado do Rio. A indústria migrará para outros estados ou países, aumentando o desemprego. A falta de turistas afugentados pela rotina de crimes diminuirá a oferta de empregos em serviços. A “taxa diária de balas perdidas atingindo pessoas” maior que um caso por dia, não é grande atrativo para chamar um viajante ao Rio. O desemprego contribuirá para o aumento do crime organizado ou não. O ciclo de piora acelerará a decadência da cidade. Este exercício é pura paranoia ou apenas a previsão óbvia de nosso futuro? A falência anunciada do Rio de Janeiro pode ser um bom caso de colapso para ser estudado no futuro pelos discípulos de Diamond.”

Como orientação geral, mantenham o passaporte atualizado e ao alcance da mão.

Perdido em Marte, de Andy Weir

O livro “The martian”, do autor Andy Weir, ganhou o título de melhor livro de ficção científica de 2014 no site Goodreads. Eu gostei do livro. Li o ebook da Amazon: The Martian: A Novel. Virou filme, com direção de Ridley Scott e com Matt Demon no papel do azarado astronauta que é deixado em Marte pelos colegas da missão espacial ao planeta, aparentemente morto.

O resumo do início do livro dá o tom da história: “Six days ago, astronaut Mark Watney became one of the first people to walk on Mars. Now, he’s sure he’ll be the first person to die there.” O livro conta a história de sua luta pela sobrevivência. Os detalhes técnicos de sua jornada para se manter vivo são a graça da história. Sozinho, o astronauta Mark Watney se vira para obter os preciosos ar e comida. O livro tem uma proposta que se arrisca a ser monótona, mas a história tem muito bom ritmo. É impossível não se colocar no lugar do sujeito que persevera para viver. Leia o livro, veja o filme.

I am Pilgrim [Terry Hayes]

Eu recomendo. “I Am Pilgrim” (Eu Sou Peregrino) ainda só está disponível em inglês. É boa pedida para comprar no Kindle. É um thriller sobre aquele agente secreto atormentado que tenta se aposentar (mais um!), mas é envolvido numa missão cascuda. Se ele fracassar, pode ser o fim do mundo, ou algo perto disso. O livro é a estreia do roteirista Terry Hayes como autor de livro de história de ação. O autor tem currículo famoso, passando pelo roteiro do também thriller “O Troco”, que gerou bom filme com Mel Gibson. Hayes também é conhecido pelas primeiras edições da franquia Mad Max. O autor reconhece a forte influência do ritmo do cinema de ação em seu estilo.

O livro é bom. Continuar a lerI am Pilgrim [Terry Hayes]

Dias Perfeitos (Raphael Montes)

Muito bom. Morri de inveja do trabalho desse “menino” que lançou o livro com 23 anos. É cativante o ritmo da história de um psicopata e sua paixão, que teria que ser doentia. Proporcionou boas horas do prazer da leitura. Lendo algumas críticas, ficou a dúvida se eu estou me satisfazendo com pouco ou a rapaziada tá tendo crises agudas de criticice. Que venham os raphaeis e fernandas torres para produzir boa leitura pra gente.

O Andar do Bêbado [Leonard Mlodinow, 2009]

Bom livro. É da classe dos livros “quase técnicos”. O tema central é o acaso, como lidamos com ele e os mecanismos criados para representá-lo. A proposta do livro é desmistificar ou descomplicar o entendimento de probabilidade e estatística. Contando a história da evolução das técnicas para estudar fenômenos aleatórios, Mlodinow esclarece as definições e mostra suas aplicações. O autor consegue perambular bem pelos temas. Eu recomendaria, sem dúvida, para um aluno de faculdade que tivesse terminado a cadeira de probabilidade e seguisse para fazer estatística no próximo semestre. Para quem tiver minimamente se afeiçoado aos assuntos, o livro é leitura agradável e serve para arrumar a cabeça sobre detalhes da teoria. Para aqueles que se atemorizaram com a probabilidade, o livro, apesar de fácil e bem abordado, vai causar enjoo. Eu recomendaria perseverar, mas é baixa a chance de conseguir convencer os desgostosos. Quem já conhece o assunto, pode considerar o livro meio trivial, mas Mlodinow contorna o risco de cair no óbvio apresentando o contexto histórico dos avanços da matemática, tornando o livro atraente e, em certos momentos, hilário. O autor traz exemplos práticos interessantes da probabilidade e estatística, tocando assuntos diversos tais como a controversa eficiência de fundos de investimento, os resultados falso-positivos de testes de doenças ou argumentos falaciosos de julgamentos de crimes. Esse tipo de conhecimento merece nossa atenção, pelo menos que seja para diminuir a chance de sermos ludibriados pelas armadilhas de argumentações equivocadas ou de pura má fé que nos ameaçam no dia a dia. Investir na leitura de O Andar do Bêbado traz boa chance de o leitor aperfeiçoar sua visão sobre eventos aleatórios ou errôneas relações de causa e efeito que, na verdade, são movidas pelo acaso. Recomendo dar o passo na direção de sua compra.

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