Arquivo da Categoria: análise

Google se parece com a Odebrecht 

Tá duvidando né? Com razão. Uma é “soft” e a outra é “hard”. Google se estabeleceu a partir de um software. A Odebrecht é especialista em barragens, portos e estradas. Quer coisa mais “hardware”? Mas elas têm semelhanças. A Odebrecht ficou famosa quando descobriu-se que sua competência era em grande parte oriunda de sua atuação na área de influenciar pessoas, em particular políticos do Brasil e do mundo. Ela dava grana para os governantes fazerem campanhas eleitorais e se perpetuarem no poder. Em troca, ganhavam as obras no país e por aí afora. A Google não precisa disso, diriam vocês, amantes da Big Brother da Internet. Há controvérsias. O artigo “Why Is Google Spending Record Sums On Lobbying In Washington?“, do jornal The Guardian, descreve como os gastos com lobby da gigante da internet estão aumentando, na medida em que a Google precisa que os congressistas americanos apoiem sua maneira de ver e direcionar o mundo. Nos EUA, essa atividade é oficial e chama-se lobby. Só por que o nome é bonito – lobby – não quer dizer que seja razoável dar dinheiro para político fazer o que é do seu interesse. Aqui no Brasil é propina. Pelo menos não fingimos que é legítimo uma empresa definir as leis que a regem. Lula, nosso grande líder triplexo, diz que propina é o nome que os malvados juízes deram às honestas contribuições feitas para os partidos políticos. Lula é o Lula. 

Lobby é a propina institucional que nossos desenvolvidos irmãos do norte inventaram. Eles convivem bem com esse modelo. Começaram a corrida das nações lá na frente. Mesmo com tropeços, como a eleição de Trump, os EUA têm muita riqueza sendo produzida, que pode ser compartilhava pela população. A distribuição de renda dos americanos do norte não está lá essas coisas, mas eles têm locomotivas como o Estado da Califórnia produzindo inovação e gerando riqueza. Nós temos criaturas belíssimas e sensíveis como Michel Temer e Renan Calheiros definindo o futuro do país. Segundo Ministério Público eles levam grana para legislar a favor das empresas. Ouso pensar que os interesses escusos dos gringos são menos danosos que os interesses de nossas quadrilhas, tais como PT, PMDB e PSDB. Desgraça pouca é bobagem. 

E a vida segue. 

Quem é o vilão das contas públicas? Os juros, idiota!

Os noticiários comentam o atual aumento de impostos dizendo que isso é necessário para “fechar” as contas públicas. A previdência é o culpado padrão para o estouro das contas. Também se reclama que o governo devia fazer sua parte. Fala-se do luxo e desperdício da máquina governamental. Se os brasileiros comuns perdem deus empregos, por que os funcionários públicos têm ganhado aumentos e usufruem de inigualável segurança no emprego? Mas será esse o maior fator desarrumador de nossa economia?

O tempo passa e o vilão dessa história de mistério não é desmascarado. Nada se fala sobre a taxa básica de juros. Nossa dívida atual está em três trilhões de reais. Esse valor, com a taxa atual de mais de 10%, gera um rombo de mais de 300 bilhões por ano. 1% de redução na taxa representaria 30 bilhões de redução na evolução da dívida. Essa taxa altíssima (não têm igual no mundo hoje) garante a transferência de renda do governo (aquele imposto que pagamos) para a banca e para os rentistas. Baixar os juros não seria a principal ação de gestão econômica do país para reduzir déficits?
Não sou Hercule Poirot, mas nesse caos que estamos, alguém já viu os banqueiros reclamando dos negócios? Fiquem atentos. Qualquer espasmo da economia e os gênios do Banco Central vão se apressar em aumentar os juros da taxa básica. 

E vamos cantar:  Ê, ô, ô, vida de gado / Povo marcado, ê! / Povo feliz!

Colapso Anunciado do Rio de Janeiro

o caos está organizado
Há bem medidos dez anos, escrevi neste blog um comentário sobre o livro Colapso, de Jared Diamond. Tracei um paralelo com a situação do Rio naquela época. Minha avaliação ainda está bastante precisa. Descobri capacidades premonitórias minhas que desconhecia. Vou investir na Megasena. Mas que nada. Bobagem. Dava para ver que essa nossa terra ia dar merda. Confiram vocês:

“Vendo o que os desequilíbrios podem fazer com as civilizações, pensei aqui com meus botões. Imaginem uma cidade como o Rio de Janeiro. Aqui, as mães ricas (renda maior que 10 salários mínimos) têm em média apenas um filho. Já as mulheres pobres (renda na faixa de 1 salário mínimo) têm mais de 5 filhos. A população cresce com maior número de crianças miseráveis, sem instrução e sem opções na vida. A massa de ignorantes vai crescer se tornando a grande maioria. A população jovem será manipulada por traficantes de drogas, traficantes de deuses (franquias de religiões) e traficantes de cidadania (políticos corruptos manipulando promessas sociais que não serão cumpridas). Por uma bolsa família, os governantes se perpetuarão no poder, agravando os defeitos de uma sociedade que perde a oportunidade de aproveitar seus potenciais. O desequilíbrio criado pode ser o causador de uma guerra civil. Em tempo: a Vila Cruzeiro está sitiada há mais de 40 dias e os traficantes não parecem dispostos a ceder. A guerra civil Carioca vai reduzir a capacidade produtiva da cidade e do estado do Rio. A indústria migrará para outros estados ou países, aumentando o desemprego. A falta de turistas afugentados pela rotina de crimes diminuirá a oferta de empregos em serviços. A “taxa diária de balas perdidas atingindo pessoas” maior que um caso por dia, não é grande atrativo para chamar um viajante ao Rio. O desemprego contribuirá para o aumento do crime organizado ou não. O ciclo de piora acelerará a decadência da cidade. Este exercício é pura paranoia ou apenas a previsão óbvia de nosso futuro? A falência anunciada do Rio de Janeiro pode ser um bom caso de colapso para ser estudado no futuro pelos discípulos de Diamond.”

Como orientação geral, mantenham o passaporte atualizado e ao alcance da mão.

Presunção de Inocência no Brasil

Acho que entendi. No Brasil é assim. Você começa roubando e deve juntar dinheiro para dar propina e continuar solto roubando. E você vai subindo na cadeia alimentar da canalhada. Quando você é bom mesmo na roubalheira, você entra para a política e passa a roubar os votos dos incautos brasileiros. Se você exagerar, a fama pode levá-lo a ser julgado num Supremo Tribunal. Nesta mais alta corte, um bando de palhaços togados que você mesmo indicou vão retribuir a gentileza e praticar contorcionismos chineses no picadeiro do tribunal para justificar que você não deve ser impichado pois foi eleito pelo povo, que, aliás, foi manipulado pelo dinheiro da propina que você eficientemente distribuiu. Daí, de presumidamente inocente, você passará a inocentado, podendo continuar sua profícua carreira criminosa. Os ladrões são todos inocentes. 

Qual a chance de todos os dias do ano você ter amigos que fazem aniversário?

Não esquecer os dias dos aniversários dos amigos é regra de etiqueta a ser seguida. Uma pessoa com rede de relacionamentos de algum porte deve lembrar de cumprimentar seus amigos aniversariantes do dia. Preocupado em não deixar furos, venho preenchendo a informação dos dias dos aniversários dos meus contatos. Sou bastante liberal. Acrescento filhos de amigos, conhecidos, qualquer um que decline sua data de aniversário e tenha um mínimo potencial de ser importante na minha vida. As vezes dou entrada na lista de contatos apenas com nome e data de aniversário. Todo dia, meu calendário informa os aniversariantes da data. Transformei tudo num jogo (o importante é gamificar os processos, não é?) cujo objetivo é eu ter o máximo número de dias do ano com conhecidos fazendo aniversário nessas datas. Continuar a lerQual a chance de todos os dias do ano você ter amigos que fazem aniversário?