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Onde é melhor comprar iPhone: EUA, Inglaterra ou França?

Há uma controvérsia sobre o melhor lugar para comprar aparelhos da Apple. O ponto de discussão é que o imposto americano é aplicado por fora do preço oficial no país. Inglaterra e França, o preço da loja Apple já traz embutido o imposto IVA.

O imposto nos EUA é cerca de 7%. Em Nova York é 9%. Em Nova Orleans era 0%. Não sei se continua esta moleza, mas você tem que visitar a cidade para ganhar esta vantagem. O IVA europeu é 21%, uma bela grana. Você pode receber parte dessa grana de volta usando o tax free. Retorna apenas uma parte, pois há operadoras, como Global Blue e Premier Tax Free, que cobram quase metade da taxa para te devolver o dinheiro. Assim, você só consegue receber de volta cerca de 10% do preço que pagou na Inglaterra ou França. O uso do tax free exige ida a guichês nas lojas (quando pode) e no aeroporto para pedir a devolução. É trabalho. Há também a diferença de câmbio das moedas que vão influir no preço final em reais que você vai pagar pelo aparelho. Além disso, deve ser considerada a compatibilidade dos aparelhos com a telefonia brasileira, que não trataremos aqui. Continuar a lerOnde é melhor comprar iPhone: EUA, Inglaterra ou França?

Sansung Galaxy s8 e Apple iPhone: é melhor comprar no Brasil por uma operadora ou nos EUA?

Como toda pergunta difícil, a resposta é: depende! Mas podemos identificar quais fatores definem a decisão e responder com segurança. Vamos fazer as contas para um aparelho Samsung Galaxy s8. O raciocínio desenvolvido vale também para aparelhos da Apple. 

O Galaxy s8 custa US$725 nos EUA. O preço não é rígido como dos iPhones. Há ofertas. Por exemplo, a rede de supermercados Target está oferecendo o aparelho desbloqueado por US$ 650. Mas consideremos o preço básico de US$ 725 para fazer nossa análise. 

Se você comprar na Flórida, nos EUA, vai pagar mais 7% de imposto. Em Nova York a taxa é 9%. Usando a taxa de 7% , o preço final em dólares aumenta para US$776. Transformando o preço para reais, considerando a taxa de câmbio atual de R$3,30 para compra do dólar turismo no mercado (faça o ajuste para a taxa de câmbio do momento em que estiver lendo este artigo), o preço final do smartphone fica em R$ 2560,00. Se você comprar com cartão de crédito terá pago mais 6% de IOF. Fiquemos com o preço de R$ 2560,00 como referência para a compra em dólares nos EUA. 

E a compra de um smartphone por um detentor de linha da operadora VIVO? O preço do smartphone comprado na operadora varia conforme seu plano. Por exemplo, para quem tem o plano família 6GB, que custa R$ 220,00/mês, o smartphone da Samsung sai por R$ 1880,00. Se pagar em dez vezes, esse valor é equivalente a menos de R$ 1800,00 à vista. Nesse caso, é boa pedida comprar na VIVO.  Afinal, R$ 1800,00 é bem mais em conta que os R$ 2560,00 da compra  nos EUA. 

O plano família 6GB é caro. As pessoas estão gastando em média entre R$ 50 e R$ 100 para ter uma linha com mais de 3GB de internet por mês. Nessa faixa de preço, o Galaxy 8s comprado na VIVO fica por cerca de R$ 3400, bem superior ao preço dos EUA. 

Assim, a conclusão é que só vale a pena comprar aqui no Brasil pela operadora VIVO se você é um abastado que gasta mais de R$ 200/mês com sua linha de celular. Se é um consumidor mais modesto, gastando menos que R$ 100/mês na sua conta, vale aproveitar a oportunidade de uma viagem ao exterior e comprar seu smartphone lá fora.

Google se parece com a Odebrecht 

Tá duvidando né? Com razão. Uma é “soft” e a outra é “hard”. Google se estabeleceu a partir de um software. A Odebrecht é especialista em barragens, portos e estradas. Quer coisa mais “hardware”? Mas elas têm semelhanças. A Odebrecht ficou famosa quando descobriu-se que sua competência era em grande parte oriunda de sua atuação na área de influenciar pessoas, em particular políticos do Brasil e do mundo. Ela dava grana para os governantes fazerem campanhas eleitorais e se perpetuarem no poder. Em troca, ganhavam as obras no país e por aí afora. A Google não precisa disso, diriam vocês, amantes da Big Brother da Internet. Há controvérsias. O artigo “Why Is Google Spending Record Sums On Lobbying In Washington?“, do jornal The Guardian, descreve como os gastos com lobby da gigante da internet estão aumentando, na medida em que a Google precisa que os congressistas americanos apoiem sua maneira de ver e direcionar o mundo. Nos EUA, essa atividade é oficial e chama-se lobby. Só por que o nome é bonito – lobby – não quer dizer que seja razoável dar dinheiro para político fazer o que é do seu interesse. Aqui no Brasil é propina. Pelo menos não fingimos que é legítimo uma empresa definir as leis que a regem. Lula, nosso grande líder triplexo, diz que propina é o nome que os malvados juízes deram às honestas contribuições feitas para os partidos políticos. Lula é o Lula. 

Lobby é a propina institucional que nossos desenvolvidos irmãos do norte inventaram. Eles convivem bem com esse modelo. Começaram a corrida das nações lá na frente. Mesmo com tropeços, como a eleição de Trump, os EUA têm muita riqueza sendo produzida, que pode ser compartilhava pela população. A distribuição de renda dos americanos do norte não está lá essas coisas, mas eles têm locomotivas como o Estado da Califórnia produzindo inovação e gerando riqueza. Nós temos criaturas belíssimas e sensíveis como Michel Temer e Renan Calheiros definindo o futuro do país. Segundo Ministério Público eles levam grana para legislar a favor das empresas. Ouso pensar que os interesses escusos dos gringos são menos danosos que os interesses de nossas quadrilhas, tais como PT, PMDB e PSDB. Desgraça pouca é bobagem. 

E a vida segue. 

Quem é o vilão das contas públicas? Os juros, idiota!

Os noticiários comentam o atual aumento de impostos dizendo que isso é necessário para “fechar” as contas públicas. A previdência é o culpado padrão para o estouro das contas. Também se reclama que o governo devia fazer sua parte. Fala-se do luxo e desperdício da máquina governamental. Se os brasileiros comuns perdem deus empregos, por que os funcionários públicos têm ganhado aumentos e usufruem de inigualável segurança no emprego? Mas será esse o maior fator desarrumador de nossa economia?

O tempo passa e o vilão dessa história de mistério não é desmascarado. Nada se fala sobre a taxa básica de juros. Nossa dívida atual está em três trilhões de reais. Esse valor, com a taxa atual de mais de 10%, gera um rombo de mais de 300 bilhões por ano. 1% de redução na taxa representaria 30 bilhões de redução na evolução da dívida. Essa taxa altíssima (não têm igual no mundo hoje) garante a transferência de renda do governo (aquele imposto que pagamos) para a banca e para os rentistas. Baixar os juros não seria a principal ação de gestão econômica do país para reduzir déficits?
Não sou Hercule Poirot, mas nesse caos que estamos, alguém já viu os banqueiros reclamando dos negócios? Fiquem atentos. Qualquer espasmo da economia e os gênios do Banco Central vão se apressar em aumentar os juros da taxa básica. 

E vamos cantar:  Ê, ô, ô, vida de gado / Povo marcado, ê! / Povo feliz!