o tempo

O mistério do tempo nos maravilha e assusta. Tão perto de nossas vidas, é a matéria que as constrói, mas dele pouco sabemos, só temos do tempo esta fresta, o presente, que nos foi presenteado. O resto é lembrança falsa, que o próprio tempo sopra e apaga. O futuro, este é o porvir do presunçoso, de quem acredita dele ser dono ou poder domesticá-lo. Adestrado é o querente, que vai amansando, até a calmaria do poente dessa graça de vida. O tempo é matéria da cria dos poetas.

Soube há pouco tempo de uma prosa do poeta Jaime Caetano Braun, que arrepia quem escuta, vá no iutubi conferir tanta beleza singela. Faço cópia mais abaixo da beleza das últimas palavras de O Tempo, de Jaime Caetano. É para pensarmos sobre a roda da vida…


    acho que a fieira dos dias,
    não vale a pena contar,
    e – chego mesmo a pensar,
    olhando o brasedo perto,
    que a vida é um crédito aberto
    que é preciso utilizar!

    Guardar dias pro futuro,
    é sempre a grande tolice,
    o juro é sempre a velhice
    e – de que adianta esse juro?
    se ao índio mais queixo duro,
    o tempo amansa no assédio?
    gastar é o melhor remédio,
    no repecho e na descida,
    porque – na “conta” da vida,
    não adianta saldo médio!

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