Desiludido da Espécie

Nicholas Epley : “There’s nothing that we spend more time thinking about in our daily lives than other people. Other people are the most complicated things we ever think about.”

Está cada vez mais difícil aturar meus semelhantes. Não tão semelhantes assim. Não aguento mais ouvir as opiniões dos idiotas. Eles e elas sempre existiram. O problema é que a comunicacao digital, as redes sociais, o infernal Facebook, esses recursos nos aproximaram dos imbecís. A internet potencializou a capacidade das pessoas dizerem bobagens. Mesmo sendo um visitante bissexto das discussões, cada vez que arrisco ler o que escrevem, minha paciência é testada com crueldade.

Há um diagnóstico que vem se mantendo válido. Parte do problema vem da dificuldade básica com a leitura. Nossa constituição informa que somos todos iguais. O sentido é de que temos todos direitos iguais. O humano brasileiro, na sua indigência, entendeu que todas as pessoas são iguais, literalmente, que todos têm conhecimento igual sobre tudo, que suas opiniões têm o mesmo valor independentemente deles saberem sobre o que estão falando, ou apenas declararem irrefutáveis tolices.

O discurso populista que tomou conta de nosso continente neste início de século tratou de reforçar esse bizarro conceito de “igualdade”. Aproveitaram para acrescentar uma equivocada noção de direitos iguais, transformando em algo como “todo mundo tem direito a tudo independentemente do esforço ou competência para conquistar alguma coisa”. Felizes os idiotas, eles herdarão o próximo mandato!

Outra característica humana que tem me afastado dessas criaturas é sua tendência para discutir o todo pensando no seu caso pessoal e nos seus interesses. Trata-se de uma agudização do egoísmo nato da espécie. Na linguagem popular: farinha pouca, meu pirão primeiro. Assim, qualquer discussão, que as vezes parece ser sobre um sistema, sobre um processo, sobre um problema da sociedade, descamba para a defesa pura e simples dos interesses do interlocutor.

Voltando à “farinha pouca…”, o fato é que a farinha é pouca! Não é possível todos terem tudo. Quando se fala, por exemplo, em economizar, a concordância é geral. Mas todos iniciam campanha instantânea para que não mexam nas vantagens que querem manter. Todos acham justo que os outros economizem, que os outros cedam, mas o meu ninguém tasca.

A imbecilidade disseminada prospera. Está muito difícil aturar a mediocridade. E durma-se com um barulho desse.

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