O Sexto Sentido [The Sixth Sense] de M. Night Shyamalan

A gente, como os fantasmas da história, só vê o que queremos ver. Ainda mais quando o diretor e o roteirista dão uma mãozinha. 

Depois do ridículo Bruxas de Blair, enfim o gênero terror trouxe algo de qualidade para as telas. O Sexto Sentido é uma boa surpresa para quem gosta de cinema no geral. Para quem curte tomar um bom susto, é puro prazer. Na sessão que assisti, o pessoal parecia ter ensaiado antes, o grito de medo saia bem afinado, todos berrando juntos.

A história do psicólogo infantil que tenta resgatar um fracasso profissional anterior curando um menino com sérios problemas mentais – e que problemas, o garoto tem o mau hábito de ver pessoas que já morreram – é contada com inigualável premeditação. O ritmo propositadamente lento da narrativa nos conduz com precisão pelo sofrimento dos atormentados médico, paciente e mãe da criança. Bruce Willis, no papel do Dr. Malcolm Crowe, até por ser Bruce Willis, é perfeito para o personagem. O menino ator Haley Joel Osment responde bem a um personagem infantil que necessita das expressões faciais corretas.

Sexto Sentido é envolvente e nos coloca no lugar certo para apreciar os esforços do Dr. Crowe para orientar o pequeno Cole no seu contato com os mortos. A mistura de suspense, terror, paranormalidade, fantasmas, sustos e mágica tem dosagem equilibrada para atingir o objetivo do filme. A lapidação realizada pela equipe do diretor Night Shyamalan nos roteiro e edição de Sexto Sentido fará com que não esqueçamos das dificuldades por que passa o personagem de Bruce Willis.

Depois do acerto de Ghost, do fracasso de Cidade dos Anjos, a utilização do tema “almas do outro mundo” para produzir bom exercício de cinema é um fato de destaque. A gente vê O Sexto Sentido e gosta. Fica na lembrança uma frase importante do filme, dita pelo pequeno Cole: – Os fantasmas só vêem o que querem. No caso de Sexto Sentido, eu acrescentaria: – Nós, os espectadores, também!

Observação: Daqui para a frente, por favor, só leiam os que já viram o filme!

Puxa, que bom poder comentar o filme sem ter que esconder o final!

Sexto Sentido não é um filme de terror. Se for para dizer qual o tema do filme, eu diria que é mágica. O filme trata da arte de esconder o fato principal com movimentos laterais, como aqueles que os mágicos fazem com uma mão enquanto, com a outra, escondem a moeda. Bruce Willis nos mostra isso no filme. E o diretor Night Shyamalan faz esse truque ao longo de todo o filme. É uma grande brincadeira de cinema. Um exercício de deslocamento de ponto de vista. Uma montagem onde o posicionamento do contador da história nos encaminha para uma leitura superficial e tradicional dos acontecimentos. Mas – essa é a mágica – a verdade da história é outra.

Sexto Sentido é filme para se ver duas vezes. Daqui a alguns meses, pegar a fita na vídeo locadora, se armar de pipoca e CocaCola, e acompanhar as narrativas das diferentes realidades: a visão da mãe, a visão do menino e, ainda, uma terceira, o ponto de vista do médico. Aí, vamos lembrar, com prazer, a cena do restaurante (didaticamente repetida no final); ou aquela do médico correndo atrás do carro do novo namorado de sua esposa; ou o médico no sótão vendo o namorado convidar sua mulher para uma viagem de fim-de-semana e tantas outras. O que vocês acharam da cena da mãe chegando com o filho e “deixando” o garoto na companhia do Dr. Crowe (Willis)? Por que naquela hora não estranhamos a mãe não cumprimentar o terapeuta?

Você sacou tudo antes? Eu não! Fui enganado direitinho pela mágica de Sexto Sentido. E olha que, no fundo, a história é a mesma de Ghost. O artista principal morre no início! Mas, a gente, como os fantasmas da história, só vemos o que queremos ver. Ainda mais quando o diretor e o roteirista dão uma mãozinha.

Sexto Sentido é filme para se ver duas vezes. Daqui a alguns meses, pegar a fita na vídeo locadora, se armar de pipoca e Coca Cola, e acompanhar as narrativas das diferentes realidades: a visão da mãe, a visão do menino e, ainda, uma terceira, o ponto de vista do médico. Aí, vamos lembrar, com prazer, a cena do restaurante (didaticamente repetida no final); ou aquela do médico correndo atrás do carro do novo namorado de sua esposa; ou o médico no sótão vendo o namorado convidar sua mulher para uma viagem de fim-de-semana e tantas outras. O que vocês acharam da cena da mãe chegando com o filho e “deixando” o garoto na companhia do Dr. Crowe (Willis)? Por que naquela hora não estranhamos a mãe não cumprimentar o terapeuta?

Você sacou tudo antes? Eu não! Fui enganado direitinho pela mágica de Sexto Sentido. E olha que, no fundo, a história é a mesma de Ghost. O artista principal morre no início! Mas, a gente, como os fantasmas da história, só vê o que queremos ver. Ainda mais quando o diretor e o roteirista dão uma mãozinha.

(Eugenia Corazon)

Alt München

atenção: este restaurante já fechou, ficou a história …

Rua Dias Ferreira 410. Leblon (ver mapa)

O Alt München é o tradicional alemão do Leblon. Poucos falam seu nome corretamente, mas a casa conta com uma freguesia fiel que já vem de muito tempo. É um lugar agradável, onde você tem de saber escolher o lugar para sentar. Quando o pessoal começa a pedir fondue, o ar da sala interna fica um pouco turvo e a gordura se distribui no recinto. A roupa e os cabelos dos comensais absorvem o cheiro e o gosto do fondue, fazendo você lembrar do restaurante pelo resto da noite e até o outro dia. Ou seja, é melhor sentar na varanda.

Apesar do nome alemão, o Alt München não se restringe à comida germânica. Claro que você pode comer um bom kassler ou salsicha de Viena, entretanto o lugar não poupa esforços para ser um centro de integração internacional através da culinária. Vejam só. O dono do restaurante é judeu. Ali na varanda, o cearense Roberto atende com presteza e qualidade. O estilo da casa passeia, além do alemão, pelo húngaro (que tal experimentar um goulash?) e sofre a influência indiana. O Mah-Meh, por exemplo, é uma combinação de carnes diversas com talharim ao curry cuja origem, pelo menos no Brasil, está no antigo e finado restaurante Alpino, no Jardim de Alah. Para mostrar como a casa vai fundo no ecletismo, lá você também pode comer uma paella valenciana.

Depois desse passeio geográfico, fica a recomendação do continente africano (pelo menos no nome): o Filet Mignon Madagascar, com molho de pimenta verde e batatas rösti. Há também uma entrada de destaque combinando alcachofras e fígado de pato produzindo saboroso efeito e que merece uma excursão.

Pois é. Vale a pena conhecer o lugar. E depois, é só escolher seu prato preferido e se juntar aos aficionados que sempre retornam ao alemão do Leblon.

Alcaparra, elegante e acolhedor na Praia do Flamengo

Praia do Flamengo, 150. (entre Rua Buarque de Macedo e Rua Dois de Dezembro) Flamengo.
clique para ver mapa

Único na praia do Flamengo, o restaurante Alcaparra é lugar privilegiado. Pelas janelas se vê o verde dos jardins do Aterro e da arquitetura tombada do castelinho da praia do Flamengo. A espaçosa sala principal tem mesas confortáveis, decoração suave, boa música de fundo, tudo combinando para uma refeição mais clássica e com alguma formalidade. É lugar sóbrio sem ser pedante. Os jovens podem apreciar como um lugar tranqüilo para curtir com a namorada. Mas a freqüência média tende a ser conservadora, composta em sua maioria por senhores e senhoras. Famílias comparecem para comemorações com a participação de todas as gerações. Era comum nos depararmos com pessoas famosas como Jorginho Guinle ou políticos do momento.

O restaurante tem boas massas. O prato clássico da casa, para mim, é o Mignonnettes a “Alcaparra”, boa combinação de fatias finas de filé com massa saborosa. Uma pedida de carne é a Costeleta de Cordeiro. O menu é farto e trafega ousado por massas, peixe, aves e carne. Quem quiser descobrir seu prato preferido pode usar os serviços de maitre Ribeiro. Alto, cabelo com gomalina, jeito de quem vai dançar um tango após o trabalho, Ribeiro é gentil e faz seu trabalho com prazer. É de confiança para ajudar na escolha do prato.

No mais, é curtir o ritual e fechar a refeição (ele também abre para o almoço) com um espresso com trufas. Diga-se de passagem, o Alcaparra foi dos primeiros lugares a apresentar a combinação café e trufas. Boa iniciativa, felizmente acompanhada por muitos lugares do Rio.

(Gustavo Gluto)