Alcaparra, elegante e acolhedor na Praia do Flamengo

Praia do Flamengo, 150. (entre Rua Buarque de Macedo e Rua Dois de Dezembro) Flamengo.
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Único na praia do Flamengo, o restaurante Alcaparra é lugar privilegiado. Pelas janelas se vê o verde dos jardins do Aterro e da arquitetura tombada do castelinho da praia do Flamengo. A espaçosa sala principal tem mesas confortáveis, decoração suave, boa música de fundo, tudo combinando para uma refeição mais clássica e com alguma formalidade. É lugar sóbrio sem ser pedante. Os jovens podem apreciar como um lugar tranqüilo para curtir com a namorada. Mas a freqüência média tende a ser conservadora, composta em sua maioria por senhores e senhoras. Famílias comparecem para comemorações com a participação de todas as gerações. Era comum nos depararmos com pessoas famosas como Jorginho Guinle ou políticos do momento.

O restaurante tem boas massas. O prato clássico da casa, para mim, é o Mignonnettes a “Alcaparra”, boa combinação de fatias finas de filé com massa saborosa. Uma pedida de carne é a Costeleta de Cordeiro. O menu é farto e trafega ousado por massas, peixe, aves e carne. Quem quiser descobrir seu prato preferido pode usar os serviços de maitre Ribeiro. Alto, cabelo com gomalina, jeito de quem vai dançar um tango após o trabalho, Ribeiro é gentil e faz seu trabalho com prazer. É de confiança para ajudar na escolha do prato.

No mais, é curtir o ritual e fechar a refeição (ele também abre para o almoço) com um espresso com trufas. Diga-se de passagem, o Alcaparra foi dos primeiros lugares a apresentar a combinação café e trufas. Boa iniciativa, felizmente acompanhada por muitos lugares do Rio.

(Gustavo Gluto)

Bar Luiz, o tradicional alemão da Rua da Carioca

Rua da Carioca 39. Centro.

Ali na Rua na Carioca se encontra um excelente alemão da cidade. A tradicional casa com paredes de azulejos, sem ar condicionado, pertinho do cinema Íris. A qualidade é garantida. O Bar Luiz tem chope famoso. Está na lista dos dez melhores do Rio, portanto, do mundo. Seu chope escuro também é bem consumido pelos freqüentadores.

O restaurante está ali a mais de um século. Tem muitas histórias pra contar. Uma curiosidade é que já se chamou Bar Adolph. Convenhamos que ter esse nome na época da guerra contra Hitler não era exatamente um caso de marketing de sucesso. O dono mudou o próprio nome: de Ludwig passou para Luiz. O nome do bar mudou junto: Bar Luiz.

A salada de batata do Luiz é uma referência na cidade. Ela mostra como um prato simples pode ser bem preparado. A recomendação da gente é o prato Alemão Completo. O menu indica o prato para duas pessoas. É uma maneira de experimentar um pouco de cada uma das ofertas básicas da casa: kassler, salsichão, salada de batata e chucrute.

(Gustavo Gluto)

Feliz Ano Novo [Rubem Fonseca]

Ontem fui a uma livraria e comprei o livro Feliz Ano Novo, de Rubem Fonseca. Nada de especial, diriam vocês. O livro não é nem novo. É verdade. Eu já havia lido. Por que estou comprando de novo? Meu filho de 18 anos está interessado em lê-lo. Vocês devem concordar que um jovem interessado em leitura deve ser incentivado. Então comprei.

Este ato singelo da compra de um livro teve um significado especial. Quando li Feliz Ano Novo, acho que em 1976, ele estava proibido pela censura. O livro não podia ser lido por que “atentava contra a moral e os bons costumes”. Li Rubem Fonseca em cópia xerox. Continuar a lerFeliz Ano Novo [Rubem Fonseca]

Perdemos Kubrick

um dos maiores diretores do século XX

No final da semana passada (março de 1999), morreu o diretor de cinema Stanley Kubrick. Seu nome esteve sempre associado ao novo e o melhor cinema que chegava às telas de tempos em tempos. Ele foi como um Spielberg mais sofisticado e menos preocupado em atender às exigências do mercado. Não fazia cinema para o público. Kubrick criava e educava espectadores do cinema. Continuar a lerPerdemos Kubrick

Além da linha vermelha [The thin red Line]

o superficial e o profundo

A semana de cinema no Rio coloca ao alcance do público dois filmes extremos. De um lado tem Mensagem Para Você (You’ve got mail) e, de outro, Além da Linha Vermelha (The Thin Red Line). É interessante como cada um realça as características do outro. Senão vejamos. Mensagem Para Você é cinema de oportunidade. O objetivo é a comédia amena, alegrinha, com o casal de atores da moda nos EUA. A roteirista Nora Ephron é especialista em escrever historinhas desse tipo. Foi ela a responsável pelo bem sucedido Harry e Sally. O tema do relacionamento na Internet é tratado com glamour. As simplificações e estereótipos são usados à larga para construir um produto de lazer sem compromisso. E consegue. Podia ser melhor, mas provavelmente, no futuro, com uma bacia de pipocas do lado, será um programa leve e agradável assistir Meg Ryan e Tom Hanks na tela de uma TV por cabo ou, falando de futuro, num provedor de cinema na Internet.

Por sua vez, Além da Linha Vermelha, do diretor Terrence Malick, é uma obra-prima de cinema. Continuar a lerAlém da linha vermelha [The thin red Line]