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Cachoeira, Cavendish, Cabral…

Tava lendo o jornal… Jorge Carlos Moreno expõe a escolha de Sofia a que estamos expostos quando Garotinho divulga o vídeo que demonstra a grosseira intimidade de Sérgio Cabral com Cavendish. Como cobrar o esclarecimento dessa parceria estranha que pode identificar ligações de Cabral com a máfia brasileira construída por Cachoeira, envolvendo políticos e empresários numa mega organização, sem dar força a Garotinho. Moreno refere a máxima de Ulysses Guimarães: “Garotinho suja a denúncia que faz porque, no seu caso, não busca culpados, mas cúmplices.” irreparável. Zuenir Ventura confirma em sua coluna a aflição por que passam os cariocas. “A dúvida que fica no ar depois da leitura de cada capítulo do escândalo ė se, ou quando, vai respingar no Rio um pouco da lama da cachoeira Carlinhos.” A cena geral parece confirmar que está cada dia mais raro poder identificar político com visão de cidadania, com um mínimo de objetivo para melhorar a sociedade. Um a um, as opções se mostram mais interessadas em garantir seu direito divino a andar de helicópteros, ter casas em condomínios cinematográficos e usufruir dos caros restaurantes de Paris. Ai da gente. Mesmo que a blindagem funcione, Cabral está perdendo o rumo em sua trilha em direção à candidatura à presidência da república. O PMDB fica mais fraco. O PT se delicia com as oportunidades geradas pela fraqueza dos aliados.

O Olimpo da Tapioca

20120303-142504.jpgFica feira de sábado, na rua Frei Leandro, esquina com Custódio Serrão. A tapioca é um espetáculo. Faz parte da programação de compras no mercado de rua. A taipioca com queijo sai por R$3. Mas gosto da clássica e simples tapioca com manteiga, bem mais em conta, saindo a R$1,50. O refrigerante pode ser providenciado na barraca vizinha. É um bom lanche para enganar o estômago na espera pelo almoço tardio de final de semana.

Os mais abastados podem esperar mais tarde abrir o Olympe, que fica a poucos metros da barraca da Tapioca. Recomendo ali o menu confiance, uma sucessão de pratos (da ordem de cinco, se contarmos a sobremesa) com o sabor maravilhoso produzido pelo Claude Troigros. O preço por pessoa é puxado: R$216. Sem dúvida, será necessário fazer muita economia na tapioca para chegar ao Olympe.

Eh, ôô, vida de gado Povo marcado, ê Povo feliz

Tava voltando do trabalho na 6a feira. Carro com ar condicionado me isolando do Rio suarento de fim de expediente. O tempo fecha e a chuva torrencial cai lavando os camelôs e adjacentes nas calçadas. As mulheres incautas, que se meteram em calças brancas arrochadas para os avanços de 6a feira são molhadas pela chuva, deixando a roupa colada no corpo, criando efeitos possivelmente exóticos para alguns. O povo obediente, que não conseguiu convencer os patrões que a greve da polícia ia degenerar em violência por toda a cidade, este povo miúdo espera quieto o aguaceiro passar. Dentro do meu casulo móvel desloco-me para a Zona Sul pelo Aterro que ameaça encher, apesar de ser plano e junto da baía. Quando chega o Morro da Viúva, o sol aparece junto a estátua do Redentor. Sou agraciado com efeitos especiais, com direito a arco-íris. O chão vai secando. Quando adentro Copacabana, os habitantes locais não dão mostras de temerem a chuva diluviana que eu presenciara. A juventude em roupa de praia retorna para casa com o senso do dever cumprido nas reverências feitas ao deus Sol que se despede lá para os lados da Zona Oeste, digo, Barra da Tijuca. Me apiedo dos humildes trabalhadores umedecidos que abandonei no Centro. Como sofrem esses moços.

Dia seguinte: os jornais informam que o Cordão do Bola Preta levou cem mil pessoas a descer a Rio Branco em êxtase carnavalesco. Ê povo feliz!

o Rio vai indo, talvez, ladeira abaixo ou é pra cima

Esta terra está um espetáculo. Os preços são de primeiro mundíssimo. Em paralelo, a cidade parece dar sinais de fadiga, que está se esgotando em termos de infraestrutura. Os bueiros explodem regularmente, lançando tampas aos céus como UFOs tupiniquins de última geração. Esgotos também explodem junto. A última explosão no cais do porto foi de grande porte. Já no espaço aéreo, os prédios começam a ruir com o sobrepeso de obras irregulares. As boas notícias são as de sempre: o calor voltou, com belíssimos dias de céu azul e o povo, foliônico, exibindo exuberante forma física nos blocos sob sol.

Por que o título fala de “pra cima”? Andei pela Tujuca e Grajaú recentemente. Não é que a prefeitura deu um jeito nas ruas por aquelas bandas. É surpreendente andar em ruas largas, recém asfaltadas, com as faixas pintadas. Fica até estranho.