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NBA e o futebol brasileiro

Um par de ingressos para a final da NBA foi vendido por 330 mil reais. É muito. Mas vale. Se você for um milionário que já tem tudo. Ver este jogo pode acrescentar ao seu patrimônio. É um grupo de jogadores de altíssima qualidade reunidos. O show é produzido com qualidade excepcional. E por que falar disso? Tá bem que o futebol é meio monótono de assistir. Mas dá pena ver o circo mambembe em que se transformou o futebol brasileiro. Qualidade técnica ruim. Armações da CBF que enriqueceram os dirigentes empobrecendo o esporte dão o tom da novela futebolesca. Nos resta assistir o futebol espanhol (Messi e companhia) ou o alemão (7×1, lembram). Só nossa mediocridade de torcedor nos leva a aturar o futebol daqui. É muito pouco prazer sacanear, na segunda-feira, os torcedores dos times derrotados da rodada. Somos todos perdedores. 

Por que o pessoal da Barra dirige diferente

Quando estou na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio, me impressionam os carrões, as SUVs, fazendo barbaridades no trânsito. Um artigo de publicação estrangeira diz que as pessoas tendem a trapacear, a violar regras, dependendo de condições em que se encontram. O estudo identificou que pessoas em carros maiores tendem a praticar mais faltas no trânsito:

When they sit in expansive car seats, which allow them to spread out, instead of constricting them as a tighter seat would, they become more likely to commit a traffic violation during a driving simulation and, in a real-world version, cars with more expansive drivers’ seats were more likely to be illegally double-parked.

Minha dúvida é se os carros (com seus bancos maiores) induzem as pessoas a cometerem transgressões no trânsito ou aqueles que têm personalidade “espaçosa” e não respeitam os direitos dos outros é que gostam de ter carros grandes. Fica a dúvida.

Sexo in Rio

Esta é uma transcrição livre do Querido Diário do americano Johnny B. Good, turista sexual que veio ao Rio no verão de 2005. Vale a pena apreciar a sensibilidade do relato do despertar de sua paixão pela Cidade Maravilhosa.

Depois da semana de trabalho, cheia de intermináveis reuniões com os brasileiros, desci do hotel para apreciar o mar da praia de Copacabana e, quem sabe, contratar uma prostituta para relaxar. Era sábado, na semana seguinte ao Carnaval. Muitos turistas ainda continuavam na cidade, ajudando a manter a efervescente indústria de serviços sexuais do Rio.

Caminhando na calçada, junto à areia, fui abordado por Adilson (o filho de Adil!?), um negrinho hiperativo que parecia ligado na tomada todo o tempo. Ele oferecia seus préstimos como agente e guia turístico. Aparentava vasto conhecimento dos meandros da cidade. Sua verborrágica competência era cativante e decidi me orientar por este profissional que não teria ainda 18 anos de idade e cujo corpo franzino fazia parecer mais moço. Hipnotizado por seu inglês estropiado, mas fluente, combinamos um arriscado programa noturno.

Pontualmente dez da noite, Adilson me esperava na porta do Hotel Méridien. Fomos andar pela praia, passando em frente aos bares, comentando as roupas extravagantes das prostitutas e o ridículo vestuário pretensamente tropical de meus colegas turistas. Sobre a calçada de pedras portuguesas (de Portugal?), uma variedade de serviços sexuais era negociada. Meu precoce guia demoveu-me da ideia de contratar uma das moças. Havia serviços melhores! – dizia ele, enigmático, buscando despertar minha curiosidade. E conseguiu. Partimos para perpetrar o que Adilson chamava de the best of das brincadeiras sexuais da cidade.

Seguimos um chinês alto e magro, acompanhado de um garoto parecido com Adilson, e entramos numa transversal da avenida Atlântica. O cenário mudou rapidamente. Chegamos a um trecho de rua escuro, cuja iluminação pública estava com defeito ou – talvez não fosse simples casualidade? – era destruída propositadamente para permitir o andamento dos trabalhos oferecidos na calçada. Segundo Adilson, aquele era um Fast Boquette. O nome parecia de origem francesa, mas o que era servido era conhecido e apreciado em qualquer lugar e em qualquer língua. Havia cadeiras, quase poltronas, elevadas como aquelas dos engraxates dos aeroportos, com rodas para facilitar seu transporte. Talvez o equipamento, de vez em quando, tivesse que ser retirado às pressas, quando a polícia, em virtude de alguma circunstância imprevista, era obrigada a romper temporariamente a firme conivência estabelecida com o comércio sexual de rua. Eu, acompanhando as orientações de Adilson e de um atendente que mal identifiquei no escuro, fui confortavelmente instalado, tive minhas calças abertas por uma menina (acho que era menor de idade, diferencial de qualidade característico do sexo profissional no Brasil e na Tailândia) sorridente que me aplicou competente blow job. A promiscuidade – eu podia ouvir os gemidos deselegantes do chinês que me antecedera, se contorcendo em uma poltrona a poucos metros de distância da minha – inicialmente me intimidou, mas foi aplacada pela penumbra. Logo tomei coragem ou, mais certo, perdi a vergonha e me deixei levar pelo prazer produzido pela boca da dedicada menina. Serviço rápido. Em dez minutos, atingi o orgasmo e deixei os 50 dólares que pagaram a mulher, a comissão de Adilson e o aluguel do estabelecimento (?). Estava satisfeito. Voltei para o hotel e fui dormir com a negra magra, longilínea, músculos delineados, que Adilson selecionou para mim, ali mesmo, perto do hotel, na esquina da praia com a rua Princesa Isabel, princesa esta, segundo meu guia, responsável pela libertação dos escravos no Brasil. Dormi o sono dos justos.

Dia seguinte rumei com Adilson para o centro da cidade. Ele, como sempre convincente, me fizera promessas de que havia muito a conhecer. Era minha última noite no Rio e Adilson prometera uma experiência nova. Insistia que eu era um cliente especial e merecia do melhor. Antes de partirmos, me pediu para trocar uma nota de cinquenta dólares em notas de um dólar. Achei curioso, mas fiz como ele dizia, mesmo tendo que pagar a taxa de 10% cobrada pelo porteiro do hotel. Adilson garantia que valia a pena.

O programa que fizemos se chama Bonde do Tigrão (Big Tiger Train, como dizia, rindo, meu guia). Saltamos do táxi na praça onde ficam as barcas que atravessam a baía de Guanabara. De lá, pegamos um ônibus que ia para o subúrbio. Os passageiros não eram exatamente a melhor companhia para uma viagem num coletivo. Havia muitos meninos negros, que me olhavam como um peru de Dia de Ação de Graças. Mas Adilson entrou cumprimentando todo mundo com intimidade, os garotos pareceram se desinteressar de mim como próxima presa e fiquei mais calmo. Estávamos em casa. Tão logo o veículo se moveu, um rádio, que ocupava todo um banco de dois lugares, começou a tocar um som alto, com ritmo constante, sobre o qual vozes falavam sem parar. Os passageiros, na grande maioria jovens, meninos e meninas, se mexiam, se dobravam, produzindo movimentos bruscos, concentrados nos quadris, seguindo a monotonia hipnótica da música que Adilson ensinou ser o Hard Funk. Além de mim, havia outros estranhos no ninho, certamente eram também estrangeiros convidados para a festa. Adilson, fazendo de anfitrião, mostrou o que era servido aos convidados. Na parte de trás do veículo, os fregueses foram distribuídos pelos bancos propositadamente deixados vazios pelos habituais desse transporte coletivo. Uma das meninas que mexiam as nádegas com ferocidade enquanto se agachavam, aproximou-se de mim, e, virando-se de costas, passou a esfregar o traseiro volumoso no meu colo. O atrito acelerado provocou o surgimento de um volume no meu baixo ventre. A coreografia e ritmo, executada para cada um dos fregueses, eram estimulantes. Cada sequência de esfregações era premiada com a passagem de uma nota de um dólar para a mão da dançarina. Adilson me orientou que não podíamos pegar nas garotas. Tratava-se de sexo seguro! O exercício era convidativo e não demorei a retribuir os movimentos, enquanto, com o uso das notas, mantinha a garota o máximo de tempo possível dançando em cima de mim, antes dela se desvencilhar e ser substituída por outra. Devia ter trocado uma nota de cem! Os rapazes dançavam sem mostrar interesse pela excitação dos estrangeiros. Quando eu já estava começando a me despreocupar em ter um orgasmo dentro das calças, o fiel escudeiro Adilson me arrastou para fora do ônibus. Uma das garotas, coincidentemente aquela que eu havia dado preferência no uso dos dólares, apareceu como por mágica ao nosso lado na calçada. Mais uma premeditação do eficiente Adilson? A menina voltou para Copacabana no nosso táxi e subiu comigo para terminar a dança no quarto e fazer jus aos 100 dólares que pediu. Me despedi de meu guia turístico deixando gorda gratificação. O jovem profissional mereceu, ele deverá ter sucesso na florescente indústria turística brasileira.

Viajei no dia seguinte, cansado, satisfeito e fascinado pela beleza do Rio. Um lugar exótico e acolhedor. Pretendo voltar a esta magnífica cidade outras vezes.

conto de Sebastião Agridoce